Pecuária

Deformações em peixes do ES: taxa recorde de 60,5%

ResumoPesquisa da UFRJ e UFRPE registrou taxa recorde de 60,5% de deformações em peixes da espécie Stellifer naso no litoral norte do Espírito Santo. O índice supera o maior percentual já descrito na literatura científica brasileira, com anomalias morfológicas observadas nos exemplares coletados. O estudo evidencia contaminação ambiental ou estresse ecológico na região.

Cientistas da UFRJ e UFRPE registraram taxa recorde de deformações em peixes no litoral norte do Espírito Santo: 60,5% dos exemplares de Stellifer naso apresentavam anomalias, superando o maior índice já descrito na literatura científica brasileira.

Geraldo Cavalcanti
Geraldo Cavalcanti Produtor familiar e cronista rural · 07 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Deformações em peixes do ES: taxa recorde de 60,5%

Cientistas identificam taxa recorde de deformações em peixes do ES

Na foz do Rio São Mateus, em Conceição da Barra (ES), a rede trouxe à tona um sinal que a ciência não tinha visto antes em águas brasileiras. Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) registraram taxa recorde de deformações em peixes no litoral norte do Espírito Santo. O estudo constatou que 60,5% dos exemplares de Stellifer naso, conhecido como cabeçudo-preto ou tambor-estrela, apresentavam anomalias.

O percentual supera os registros anteriores descritos na literatura científica brasileira. Até então, o maior índice era de 27,1%, observado em bagres da espécie Cathorops spixii.

Estudo liga deformidades ao rompimento da barragem de Fundão

Publicado na revista Ocean and Coastal Research, o trabalho aponta que a alta incidência pode estar relacionada à contaminação ambiental persistente causada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.

Segundo o pesquisador Jonas Andrade-Santos, do Museu Nacional da UFRJ, os peixes foram coletados em maio de 2022, quase sete anos após o desastre. "Comparando com outros trabalhos similares no Brasil e também expandindo para outras regiões, o nosso trabalho teve resultado bem acima da média em quantidade de peixes com anomalias, o que possivelmente está relacionado às marcas do desastre."

Anomalias nos otólitos e exposição a contaminantes

Os cientistas identificaram anomalias nos otólitos sagitais, estruturas localizadas no ouvido dos peixes, responsáveis pelo equilíbrio, orientação espacial e percepção sonora.

O Stellifer naso habita o fundo do mar, em águas rasas. Por permanecer em contato direto com sedimentos onde ficaram depositados rejeitos da mineração transportados pelo Rio Doce, a espécie pode estar mais exposta aos contaminantes presentes na lama.

Ressalva científica e próximos passos

Os autores destacam que a pesquisa não permite estabelecer relação causal definitiva entre as deformidades e o rompimento da barragem, porque não existem amostras da região coletadas antes de 2015 para comparação.

Segundo Jonas Andrade, essa limitação reforça a importância de ampliar o financiamento de coleções biológicas de referência e subsidiar estudos de longo prazo sobre impactos ambientais. A equipe pretende analisar quimicamente as amostras para identificar quais minerais estão acumulados nos otólitos, investigar possíveis deformações externas e repetir o monitoramento da região nos próximos anos.

"Mais do que um diagnóstico de contaminação, o estudo reforça a necessidade de diálogo entre a ciência e a sociedade para garantir a segurança do ecossistema e das populações locais", acrescenta Andrade.

Perguntas Frequentes

Qual a taxa recorde de deformações em peixes no ES?

O estudo constatou que 60,5% dos exemplares de Stellifer naso apresentavam anomalias, superando o maior índice já descrito na literatura científica brasileira, que era de 27,1% em bagres da espécie Cathorops spixii.

Qual espécie de peixe foi estudada?

A espécie é o Stellifer naso, popularmente conhecida como cabeçudo-preto ou tambor-estrela, que habita o fundo do mar em águas rasas.

O que causa as deformações nos peixes?

O estudo aponta possível relação com a contaminação ambiental persistente causada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, mas não estabelece relação causal definitiva por falta de amostras anteriores ao desastre.

Onde os peixes foram coletados?

Os peixes foram coletados em maio de 2022, na foz do Rio São Mateus, próximo ao município de Conceição da Barra (ES).

Quais são os próximos passos da pesquisa?

A equipe pretende analisar quimicamente as amostras para identificar minerais acumulados nos otólitos, investigar deformações externas e repetir o monitoramento da região nos próximos anos para avaliar sinais de recuperação do ecossistema.

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