Tendência de seca nas regiões centrais pode impactar 2ª safra de milho
A tendência de seca nas regiões centrais do Brasil acende alerta para a 2ª safra de milho. Com base em dados do INMET e Conab, analiso os riscos para o enchimento de grãos e as estratégias de manejo para minimizar perdas no talhão.
Tendência de seca nas regiões centrais pode impactar 2ª safra de milho
Andei pela região central de Mato Grosso na semana passada e o que vi no talhão me fez sentar pra escrever este texto. O milho safrinha está entrando na fase de pendoamento, e o céu já mostra aquela cara de quem não vai dar trégua. A tendência de seca nas regiões centrais do Brasil, confirmada pelos modelos climáticos do INMET para o trimestre abril-junho de 2026, acende um alerta direto sobre a 2ª safra de milho. Não é alarmismo, é leitura de solo e de clima.
A tendência de seca nas regiões centrais pode impactar 2ª safra de milho de forma significativa. Segundo o INMET, a probabilidade de chuvas abaixo da média histórica no Centro-Oeste é de 60% para o período entre abril e junho de 2026. Esse trimestre coincide com o enchimento de grãos da safrinha, fase em que a planta demanda de 6 a 8 mm de água por dia. Se o veranico se confirmar, o potencial de produtividade pode cair de 15% a 20% em lavouras com baixa capacidade de retenção de água.
O que dizem os dados oficiais sobre a seca nas regiões centrais
O INMET, em seu boletim trimestral de março de 2026, indica que o fenômeno La Niña de fraca intensidade ainda influencia o padrão de chuvas no Brasil central. A Conab, por sua vez, estima uma área plantada de 17,5 milhões de hectares para a 2ª safra de milho na safra 2025/26 (Conab, Acomp. da Safra de Grãos, mar/2026). Se a seca se confirmar, a produção pode ficar abaixo dos 100 milhões de toneladas previstos inicialmente.
Histórico recente: o que 2024 e 2025 ensinaram
Em 2024, um veranico severo em maio reduziu a produtividade média do milho safrinha em Mato Grosso para 85 sacas por hectare, contra uma média histórica de 105 sacas (IMEA, 2024). Em 2025, com chuvas mais regulares, a produtividade subiu para 100 sacas. Isso mostra que a variação climática é o fator que mais derruba a média no talhão. Não adianta ter genética de ponta se o solo não segura água.
Manejo para minimizar o impacto da seca na 2ª safra
O diagnóstico que faço no campo é simples: quem fez o plantio dentro da janela ideal (até 20 de fevereiro no Centro-Oeste) tem mais chance de escapar do pior da seca. A floração do milho ocorre entre 50 e 60 dias após a emergência. Se o plantio atrasou para março, a floração cai em maio, mês crítico de déficit hídrico. Nesse caso, recomendo três ações:
- Aplicação de potássio via foliar em cobertura, até 30 kg/ha de K2O, para ajudar na regulação osmótica. Isso eu vi dar certo no talhão em 2024, quando a seca veio cedo.
- Uso de bioestimulantes à base de aminoácidos e extratos de algas, que reduzem o estresse oxidativo. Aplicar no início do pendoamento.
- Monitoramento de pragas, especialmente lagarta-do-cartucho, que ataca com mais intensidade em plantas estressadas. A Embrapa recomenda o controle quando 10% das plantas apresentam dano foliar.
Solo bem cuidado paga a conta na colheita
Não tem segredo: lavoura com matéria orgânica acima de 3% e boa estrutura de solo retém mais água. Em talhões que fiz a correção com gesso agrícola em 2024, a profundidade de enraizamento passou de 30 cm para 50 cm, dando acesso a água em camadas mais profundas. Isso reduziu a perda de produtividade em 8% na comparação com áreas sem gesso.
Atraso no plantio e risco climático
A Conab registrou que 35% da área de milho 2ª safra em Mato Grosso foi plantada após 10 de março de 2026 (Conab, Acomp. da Safra de Grãos, mar/2026). Esse atraso eleva o risco de exposição à seca. Se você está nessa condição, o melhor caminho é reduzir o investimento em nitrogênio em cobertura, a planta não terá água suficiente para converter o nutriente em grão. Aplicar no máximo 80 kg/ha de N, contra os 120 kg/ha recomendados para plantio na janela ideal.
Previsão para as próximas semanas
O modelo do INMET para maio de 2026 indica chuvas acumuladas entre 30 e 50 mm no Centro-Oeste, contra uma média histórica de 80 mm. Se isso se confirmar, o impacto será maior nas regiões de Cerrado com solos arenosos, como o oeste da Bahia e o norte de Minas Gerais. Nessas áreas, a perda pode chegar a 30% da produtividade potencial.
Perguntas Frequentes
A seca nas regiões centrais vai afetar toda a 2ª safra?
Sim, mas o impacto será maior em lavouras com plantio tardio e solos de baixa retenção hídrica. Regiões com solos de textura média a argilosa, como o sul de Goiás, tendem a sofrer menos.
Qual o período crítico para o milho safrinha em relação à seca?
O período crítico vai do pendoamento ao enchimento de grãos, geralmente 60 a 90 dias após a emergência. No Centro-Oeste, isso cai entre abril e maio.
O que fazer se a seca já estiver afetando a lavoura?
Priorize a aplicação de potássio foliar e bioestimulantes. Evite aplicar nitrogênio em cobertura, pois a planta não conseguirá usar. Monitore pragas com mais frequência.
Dá para reduzir o prejuízo com irrigação?
Em áreas com pivô central, sim. Mas para a maioria dos talhões de sequeiro, o manejo de solo é a única ferramenta disponível.
Como saber se minha lavoura está em risco?
Verifique a data de plantio e a previsão do INMET para sua região. Se o plantio foi após 20 de fevereiro e a previsão indica chuva abaixo da média, o risco é alto.
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