Sustentabilidade

Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares na África

ResumoA Grande Muralha Verde, iniciativa da União Africana e da UNCCD, restaurou 1,66 milhão de hectares no Sahel, sequestrou 24 milhões de toneladas de CO₂ e gerou 4,6 milhões de empregos. O Acelerador da Grande Muralha Verde enfrenta desafios de financiamento e governança para atingir a meta de 100 milhões de hectares até 2030.

A Grande Muralha Verde, iniciativa da União Africana e da UNCCD, já restaurou 1,66 milhão de hectares no Sahel, sequestrou 24 milhões de toneladas de CO₂ e criou 4,6 milhões de empregos. Entenda o impacto e os desafios do Acelerador.

Tarcísio Maia
Tarcísio Maia Analista de mercado agrícola · 10 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares na África

Grande Muralha Verde restaura 1,66 milhão de hectares na África

A iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde, que completou cinco anos, apresentou nesta semana um balanço com números expressivos: cerca de 1,66 milhão de hectares estão em processo de restauração no Sahel, região africana entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. O relatório, divulgado pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), também aponta 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas ou mitigadas, 4,6 milhões de empregos criados e 46 milhões de pessoas diretamente impactadas.

A restauração no Sahel combina paisagens recuperadas, áreas agrícolas, sistemas de água e comunidades. O objetivo é unir recuperação de terras com segurança alimentar, geração de oportunidades econômicas, acesso à energia limpa e maior resiliência diante da mudança do clima e da seca.

O que é a Grande Muralha Verde e como ela funciona

A Grande Muralha Verde foi criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD. Hoje, reúne 11 países fundadores, do oeste do Senegal ao Chifre da África, numa área de 156 milhões de hectares. O Acelerador, por sua vez, nasceu em 2021, após a Cúpula One Planet, quando parceiros anunciaram mais de US$ 19 bilhões em compromissos para a iniciativa. A função do Acelerador é melhorar a coordenação, acompanhar os recursos financeiros e ajudar os países a medir os resultados das ações de restauração.

Números do balanço: o que já foi alcançado

Os dados do relatório mostram avanços concretos, mas também desafios. Veja os principais indicadores:

  • 1,66 milhão de hectares em processo de restauração no Sahel.
  • 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas ou mitigadas.
  • 4,6 milhões de empregos criados, contra uma meta de 10 milhões até 2030.
  • 46 milhões de pessoas diretamente impactadas pelas ações.
  • 2.315 megawatts-hora de energia limpa produzidos.

A UNCCD considera os resultados iniciais. A entidade ressalta que a restauração de terras pode levar anos ou décadas para produzir efeitos completos, e que o levantamento da totalidade dos projetos ainda está em andamento.

Desafios na medição e coordenação

Apesar dos avanços, o próprio relatório alerta para limitações no acompanhamento dos resultados. O Observatório da Grande Muralha Verde monitora mais de 389 projetos, porém menos de 90 apresentam atualmente dados conforme os indicadores harmonizados adotados pela iniciativa. A distância entre compromissos financeiros e resultados no território segue como um desafio, segundo a UNCCD, que cita dificuldades de coordenação entre diferentes atores e o tempo necessário para que os recursos se transformem em ações.

Para enfrentar a fragmentação das informações, foi criado em 2024, em Ouagadougou, Burkina Faso, o Observatório da Grande Muralha Verde. A plataforma reúne dados sobre projetos, financiamento, resultados e informações geoespaciais. O sistema já foi endossado por dez dos 11 países fundadores.

Ações sociais e energias renováveis

A iniciativa também busca ampliar a dimensão social da restauração. Coalizões nacionais foram criadas em nove dos 11 países, reunindo ministérios, sociedade civil, universidades, setor privado e meios de comunicação. O relatório destaca iniciativas de geração de renda para mulheres, capacitação de jovens e fortalecimento de empreendimentos locais.

Em um dos exemplos citados pela UNCCD, mulheres do Mali receberam equipamentos e treinamento e ampliaram uma cooperativa de processamento de produtos agrícolas. No Chade, mulheres foram capacitadas para instalar e reparar painéis solares, transformando o acesso à energia em fonte de renda.

Próximos passos: financiamento, comunicação e COP17

A próxima etapa do Acelerador deve dar maior peso à comunicação, a mecanismos financeiros inovadores e à gestão transfronteiriça de terras e águas. Entre as possibilidades mencionadas estão títulos verdes, créditos de carbono e mecanismos de financiamento combinado.

Seca, degradação da terra e restauração dos solos serão temas centrais na 17ª Conferência das Partes (COP17) sobre Desertificação, que acontece entre 17 e 28 de agosto em Ulaanbatar, capital da Mongólia. A Agência Brasil acompanhará o evento diretamente do país asiático, em parceria com a UNCCD.

Para quem acompanha o agro e o mercado de commodities, a lição é clara: a restauração de terras no Sahel não é só uma pauta ambiental, é também uma questão de oferta futura de alimentos e de estabilidade climática. O câmbio e a cotação dos grãos respondem a esses movimentos de longo prazo, mesmo que o boato do vizinho não perceba.

Perguntas Frequentes

O que é a Grande Muralha Verde?

A Grande Muralha Verde é uma iniciativa criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD para restaurar terras degradadas no Sahel, região entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. Ela reúne 11 países fundadores, do oeste do Senegal ao Chifre da África, numa área de 156 milhões de hectares.

Quantos hectares já foram restaurados?

Cerca de 1,66 milhão de hectares estão em processo de restauração no Sahel, segundo o balanço do Acelerador da Grande Muralha Verde apresentado pela UNCCD.

Qual a meta de empregos da iniciativa?

A meta é criar 10 milhões de empregos até 2030. Até agora, foram gerados 4,6 milhões de postos de trabalho.

O que é o Observatório da Grande Muralha Verde?

É uma plataforma criada em 2024, em Ouagadougou, Burkina Faso, que reúne informações sobre projetos, financiamento, resultados e dados geoespaciais. O sistema já foi endossado por dez dos 11 países fundadores.

Quando acontece a COP17 sobre Desertificação?

A COP17 será realizada entre 17 e 28 de agosto em Ulaanbatar, capital da Mongólia, com foco em seca, degradação da terra e restauração dos solos.

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