Sustentabilidade

Leis do licenciamento ambiental são inconstitucionais, avalia DPU

ResumoA Defensoria Pública da União (DPU) avalia que as leis 15.190/2025 e 15.300/2025, que alteram o licenciamento ambiental, são inconstitucionais. A DPU requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ingresso como amicus curiae nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade contra os novos marcos legais. A manifestação defende a proteção ambiental e a participação social nos processos de licenciamento.

A DPU levou ao STF manifestação defendendo a inconstitucionalidade do novo marco do licenciamento ambiental. A instituição pede para atuar como amicus curiae nas ADIs que contestam as leis 15.190/2025 e 15.300/2025.

Valdir Pagliosa
Valdir Pagliosa Agrônomo e consultor de lavoura · 06 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Leis do licenciamento ambiental são inconstitucionais, avalia DPU

Leis do licenciamento ambiental são inconstitucionais, avalia DPU

A Defensoria Pública da União (DPU) levou ao Supremo Tribunal Federal uma manifestação para defender a inconstitucionalidade do novo marco legal do licenciamento ambiental. A instituição pede para atuar como amicus curiae (amigo da Corte) no julgamento das três ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) que contestam a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (nº 15.190/2025) e a Lei da Licença Ambiental Especial (15.300/2025).

O que a DPU pede ao STF

A DPU pede a admissão da condição de amicus curiae, o recebimento das contribuições para o julgamento das ações e o acolhimento dos fundamentos apresentados. Se aceita pelo ministro relator no STF, Alexandre de Moraes, a condição permitirá que informações fornecidas pela DPU possam subsidiar a Corte no processo de julgamento de grande impacto para a sociedade.

As leis contestadas e o contexto

Em vigor desde fevereiro, a Lei Geral do Licenciamento Ambiental foi sancionada com 63 vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os vetos, no entanto, foram derrubados pelo Congresso Nacional. Entre as mudanças previstas na norma estão a dispensa da avaliação do impacto ambiental e a possibilidade de um processo simplificado de licenciamento para atividades de médio impacto.

Os processos na Corte foram iniciados por partidos políticos e organizações sociais que apontam inconstitucionalidade em diversos artigos da Lei Geral. Nos pedidos à Justiça, os requerentes apontam que as violações são reforçadas pela Lei da Licença Ambiental Especial, em vigor por ter tido origem em uma medida provisória que visava complementar a Lei Geral.

Os argumentos da DPU

Nos argumentos apresentados ao ministro, a DPU defende que as recentes mudanças na legislação configuram uma alteração profunda do modelo de proteção ambiental, concebido pela Constituição Federal.

Para a Defensoria, a mudança promove ainda uma inversão de valores, que impõe condições aos direitos fundamentais e à proteção do meio ambiente, a partir das necessidades de expansão de empreendimentos e exploração econômica, "sob o discurso da simplificação administrativa e da promoção do desenvolvimento econômico".

De acordo com o documento, o licenciamento ambiental nunca teve a finalidade de dificultar atividades econômicas, e sim de "compatibilizar o desenvolvimento com a proteção da vida, da saúde, do patrimônio cultural, da biodiversidade e dos direitos territoriais dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e dos demais povos e comunidades tradicionais".

A DPU aponta ainda que, ao inverter as prioridades, as leis em questão reduzem essa capacidade do licenciamento ambiental ao dispensar ou simplificar as análises sobre empreendimentos potencialmente degradadores. Além disso, impõem prejuízos à participação social ao restringir a atuação de órgãos técnicos.

Impactos apontados

Os impactos apontados pelos defensores públicos vão de degradação dos recursos naturais, perda de territórios tradicionais e deslocamento forçado de populações ao agravamento dos conflitos socioambientais.

"A flexibilização do licenciamento, especialmente quando reduz a participação da Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas], dispensa estudos técnicos ou limita a avaliação dos impactos indiretos, expõe esses povos a riscos incompatíveis com a Constituição e com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro", conclui o documento.

Perguntas Frequentes

O que é amicus curiae?

Amicus curiae, ou "amigo da Corte", é uma figura que permite a terceiros, como a DPU, fornecer informações e argumentos para subsidiar o julgamento de um processo no STF.

Quais leis são contestadas?

As ações diretas de inconstitucionalidade contestam a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (nº 15.190/2025) e a Lei da Licença Ambiental Especial (15.300/2025).

Quem iniciou os processos no STF?

Os processos foram iniciados por partidos políticos e organizações sociais que apontam inconstitucionalidade em diversos artigos da Lei Geral.

O que a Lei Geral do Licenciamento Ambiental muda?

Entre as mudanças previstas estão a dispensa da avaliação do impacto ambiental e a possibilidade de um processo simplificado de licenciamento para atividades de médio impacto.

Qual o papel da Funai nesse contexto?

Segundo a DPU, a flexibilização do licenciamento reduz a participação da Funai, expondo os povos indígenas a riscos incompatíveis com a Constituição.

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