Sustentabilidade

MapBiomas: menor vegetação nativa expõe mais o país ao El Niño

ResumoMapBiomas registrou queda da vegetação nativa de 79% para 65% do território brasileiro entre 1985 e 2024. Áreas com floresta preservada apresentaram menor impacto do El Niño, enquanto regiões desmatadas sofreram maior exposição climática. A redução de cobertura natural amplia vulnerabilidade do país a eventos extremos, conforme dados do levantamento.

MapBiomas: em 41 anos, a vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território. Áreas com floresta foram menos afetadas pelo El Niño. Veja os dados.

Cláudia Renê
Cláudia Renê Especialista em sustentabilidade no agro · 12 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
MapBiomas: menor vegetação nativa expõe mais o país ao El Niño

MapBiomas: menor vegetação nativa expõe mais o país ao El Niño

A vegetação nativa do Brasil caiu de 79% para 65% do território em 41 anos, segundo o MapBiomas. A nova coleção mostra que áreas com floresta foram menos afetadas pelo El Niño, aquecimento do Pacífico que causa extremos climáticos. A perda de cobertura aumenta a exposição do país a secas e temporais.

O que diz a Coleção 11 do MapBiomas

A Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (12), traz resultados de 1985 a 2025. Foram mapeadas 33 classes de cobertura, incluindo biomas, atividades humanas, tipos de vegetação e superfície de água.

Nesta edição, os dados foram cruzados com a plataforma MapBiomas Atmosfera, que monitora clima e qualidade do ar. Os pesquisadores analisaram extremos climáticos no trimestre de setembro a novembro, durante os anos de El Niño: 1997/98, 2015/16 e 2023/24.

Como o El Niño afeta os biomas

Nos anos de El Niño mais intenso, a maioria dos biomas brasileiros sofreu com secas e falta de chuva. As exceções foram o Pampa e parte da Mata Atlântica, onde a precipitação aumentou.

A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo déficit de chuvas nos três eventos. No último, 2023/2024, os efeitos mais fortes foram nas áreas de agropecuária, que tiveram redução de 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.

O Pantanal registrou o ano mais seco da série histórica em 2024. No Cerrado e no norte da Mata Atlântica, a seca foi mais intensa a cada novo fenômeno, atingindo principalmente a vegetação nativa.

No Pampa, as áreas de agropecuária foram as mais afetadas, mas pelo excesso de chuva, especialmente nos últimos dois eventos.

Perda de vegetação nativa: números por bioma

Entre 1985 e 2025, a formação florestal perdeu mais área pela ação humana: 65 milhões de hectares. As formações savânicas perderam 46 milhões de hectares, e os campos alagados, 6,3 milhões.

"Embora a perda tenha sido maior em florestas, proporcionalmente a perda maior foi das formações savânicas, que perderam 30% de toda a sua área nesse período", diz o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.

No período estudado, 557 milhões de hectares mantiveram a mesma classe de cobertura. Desse total, 335 milhões foram florestas mantidas em pé.

A agropecuária avançou de 18% para 32% do território em 2025. A pastagem cresceu 61,6 milhões de hectares, e a agricultura, 48 milhões.

Estados que mais perderam vegetação nativa

Entre 1985 e 2025, 25 dos 26 estados e o Distrito Federal reduziram a participação de vegetação nativa. O Rio de Janeiro foi a exceção, recuperando 1% da cobertura.

Os estados que mais perderam proporcionalmente foram:

  • Rondônia: de 92% para 59%
  • Maranhão: de 91% para 61%
  • Mato Grosso: de 90% para 61%
  • Tocantins: de 90% para 61%

Marismas mapeadas pela primeira vez

As marismas, áreas pantanosas sob influência de água salobra, foram mapeadas pela primeira vez, ainda em versão beta. Em 2025, foram mapeados 6,9 mil hectares, apenas no bioma Pampa.

Esses ecossistemas ocorrem nas margens dos estuários, recebendo água doce e salgada. As principais vegetações são herbáceas, formadas por gramíneas e juncos adaptados à água salgada.

As marismas estão nas zonas estuarinas das lagoas Tramandaí-Armazém, Lagoa do Peixe, Laguna dos Patos e na foz do Arroio Chuí.

Por que a vegetação nativa protege contra o El Niño

Áreas com floresta mantida foram menos afetadas pelos extremos climáticos, segundo o MapBiomas. A vegetação nativa regula o ciclo da água e reduz o impacto de secas e temporais.

A perda de cobertura, especialmente na Amazônia e no Cerrado, aumenta a exposição do país a eventos como o El Niño. A regularização ambiental, portanto, vai além da conformidade: é uma estratégia de resiliência.

Para o produtor, manter áreas nativas pode significar menor risco de perda em anos de extremos climáticos. como regularizar o CAR e evitar multas e recuperação de áreas degradadas na prática

Perguntas Frequentes

O que é o El Niño?

O El Niño é o aquecimento da superfície equatorial do Oceano Pacífico, que causa eventos climáticos extremos na América do Sul, como secas e temporais.

Qual bioma foi mais afetado pelo El Niño?

A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo déficit de chuvas nos três eventos analisados, com redução de 178 mm de precipitação na agropecuária no último.

Quanto o Brasil perdeu de vegetação nativa?

Em 41 anos, a vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território, segundo o MapBiomas.

Quais estados mais perderam vegetação nativa?

Rondônia, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins foram os que mais perderam proporcionalmente, com reduções de cerca de 30 pontos percentuais.

O que são marismas?

Marismas são áreas pantanosas sob influência de água salobra, mapeadas pela primeira vez pelo MapBiomas, com 6,9 mil hectares no Pampa.

Leia também

Publicidade