Sustentabilidade

Mulheres da Amazônia se unem para enfrentar as mudanças climáticas: como a rede de defesa territorial atua

ResumoA Rede de Defesa Territorial de Mulheres da Amazônia reúne indígenas e ribeirinhas em ações de vigilância e restauração florestal. A iniciativa, apoiada pelo Fundo Amazônia e organizações locais, recuperou milhares de hectares de floresta. O trabalho coletivo freia o desmatamento e mitiga os efeitos das mudanças climáticas na região.

Na Amazônia, mulheres indígenas e ribeirinhas criam redes de vigilância territorial e restauração florestal para frear o desmatamento e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A iniciativa, apoiada pelo Fundo Amazônia e por organizações locais, já recuperou milhares de hectar

Tarcísio Maia
Tarcísio Maia Analista de mercado agrícola · 13 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Mulheres da Amazônia se unem para enfrentar as mudanças climáticas: como a rede de defesa territorial atua

Mulheres da Amazônia se unem para enfrentar as mudanças climáticas

Na Amazônia Legal, um movimento crescente de mulheres indígenas, ribeirinhas e extrativistas está redefinindo a luta contra a crise climática. Elas organizam redes de vigilância territorial, restauração de áreas degradadas e cadeias produtivas sustentáveis. Com apoio do Fundo Amazônia e de entidades como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e o Instituto Socioambiental (ISA), essas ações combinam conhecimento ancestral com dados de satélite para proteger a floresta e garantir meios de vida.

O papel das mulheres na proteção da floresta

As mulheres da Amazônia atuam como sentinelas do território. Em comunidades do Acre, Amazonas e Pará, grupos de vigilância comunitária percorrem áreas de fronteira agrícola e registram focos de desmatamento e queimadas. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento na Amazônia caiu 50% entre 2023 e 2024, mas ainda persiste em regiões de pressão fundiária. As mulheres preenchem lacunas deixadas pela fiscalização oficial, usando drones e aplicativos de monitoramento.

Rede de vigilância territorial: como funciona

Cada comunidade define uma rota de patrulha e um protocolo de alerta. Quando detectam uma clareira nova ou fumaça, acionam a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em 2024, a rede de vigilância das mulheres do Alto Rio Negro registrou 32 focos de calor em áreas indígenas, número 40% menor que o do ano anterior. O dado é do ISA, que acompanha o projeto desde 2020.

Restauração florestal e bioeconomia

Além de vigiar, as mulheres plantam. Iniciativas como o projeto "Mães da Floresta", no Pará, já recuperaram mais de 2 mil hectares de áreas degradadas com espécies nativas como açaí, castanha e copaíba. O Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), destinou R$ 45 milhões entre 2023 e 2025 para ações de restauração lideradas por mulheres. A meta é alcançar 10 mil hectares até 2027.

Cadeias produtivas sustentáveis

A bioeconomia é o motor financeiro dessas iniciativas. As mulheres processam polpa de açaí, óleo de copaíba e castanha-do-pará para vender a mercados locais e internacionais. A Cooperativa de Mulheres Indígenas do Médio Solimões (COMIMS) faturou R$ 1,2 milhão em 2024 com a venda de artesanato e alimentos, segundo relatório da própria cooperativa. O preço médio do açaí na região subiu 15% no mesmo período, puxado pela certificação orgânica.

Desafios e ressalvas

Apesar dos avanços, o cenário exige cautela. A violência contra lideranças femininas ainda é um entrave. Em 2024, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou 23 casos de ameaças a mulheres defensoras do território na Amazônia. Além disso, o acesso a crédito e assistência técnica permanece limitado. O Banco Central não possui linha específica para mulheres da floresta, mas o Pronaf Mulher atende agricultoras familiares com taxas a partir de 3% ao ano.

A hora certa de negociar

Para quem vive da floresta, o timing de venda é crucial. A cotação da castanha-do-pará no mercado de Belém fechou maio de 2025 a R$ 18,50/kg, alta de 8% em relação a abril, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O câmbio manda mais que o boato do vizinho: com o dólar a R$ 5,40, a exportação se torna mais atrativa, mas o produtor precisa considerar o custo do frete e a margem do atravessador.

Perguntas Frequentes

Como as mulheres da Amazônia monitoram o desmatamento?

Elas usam drones, aplicativos de celular e patrulhas a pé para identificar queimadas e derrubadas ilegais. Os dados são repassados ao Ibama e à Funai.

Qual o papel do Fundo Amazônia nessas iniciativas?

O fundo financia projetos de restauração, vigilância e bioeconomia. Entre 2023 e 2025, destinou R$ 45 milhões a ações lideradas por mulheres.

Quais produtos da sociobiodiversidade geram renda?

Açaí, castanha-do-pará, óleo de copaíba e artesanato são os principais. A COMIMS faturou R$ 1,2 milhão em 2024 com esses itens.

A violência contra lideranças femininas é um problema?

Sim. Em 2024, a CPT registrou 23 ameaças a mulheres defensoras do território na Amazônia.

Onde buscar crédito para projetos sustentáveis?

O Pronaf Mulher oferece linhas a partir de 3% ao ano. O BNDES também tem editais específicos para bioeconomia.

Leia também

Publicidade