Sustentabilidade

Projeções indicam até 127 dias de calor extremo por ano até 2075, entenda

ResumoProjeções do INPE e IPCC indicam que o Brasil pode registrar até 127 dias de calor extremo por ano até 2075. O cenário compromete a produtividade agrícola, reduz a disponibilidade hídrica e eleva riscos à saúde de trabalhadores rurais. Dados científicos embasam a previsão de impactos diretos sobre o campo brasileiro.

Projeções do INPE e IPCC indicam que, até 2075, o Brasil pode enfrentar até 127 dias de calor extremo por ano. O cenário afeta diretamente a produtividade agrícola, a disponibilidade hídrica e a saúde dos trabalhadores rurais. Entenda os dados e os impactos para o campo.

Anderson Fagundes
Anderson Fagundes Especialista em máquinas agrícolas · 14 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Projeções indicam até 127 dias de calor extremo por ano até 2075, entenda

Já desmontei motor de colheitadeira que travou por superaquecimento em plena safra. O diagnóstico foi simples: o radiador não dava conta da temperatura ambiente de 40°C durante 12 dias seguidos. Na época, achei que era exceção. Mas projeções do INPE e IPCC indicam que, até 2075, o Brasil pode enfrentar até 127 dias de calor extremo por ano. Isso muda o jogo para quem vive da terra.

Projeções do INPE e IPCC indicam que, até 2075, o Brasil pode registrar até 127 dias por ano com temperaturas acima de 35°C, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O aumento de dias quentes impacta a produtividade agrícola, a pecuária e a saúde dos trabalhadores rurais. A previsão é baseada em cenários de emissões intermediárias e altas de gases de efeito estufa.

O que dizem os dados do INPE e IPCC

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) projetam que, em um cenário de emissões intermediárias (RCP 4.5), o Brasil terá entre 80 e 100 dias de calor extremo por ano até 2075. Já no cenário de altas emissões (RCP 8.5), o número sobe para 127 dias. Esses dias são definidos como aqueles em que a temperatura máxima ultrapassa 35°C.

Segundo o INPE, as regiões mais afetadas serão o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde o número de dias quentes pode triplicar em relação à média histórica. O Sul e Sudeste também terão aumento, mas em menor escala.

Impacto direto na produtividade agrícola

Já vi lavoura de soja perder 20% de rendimento por causa de uma onda de calor de 10 dias na floração. Com 127 dias de calor extremo, o estresse térmico se torna crônico. Para culturas como milho, feijão e café, o calor acima de 35°C reduz a fotossíntese e aumenta a transpiração, exigindo mais irrigação. O custo operacional sobe, e a margem do produtor aperta.

Na pecuária, o calor extremo reduz o consumo de alimento e a produção de leite. Segundo a Embrapa, vacas em estresse térmico podem perder até 30% da produção leiteira. Com mais de 100 dias quentes por ano, o manejo precisa mudar: mais sombreamento, ventilação e oferta de água.

Disponibilidade hídrica e risco de incêndios

O aumento de dias quentes também agrava a seca. O INPE projeta que, até 2075, a região Centro-Oeste pode ter redução de até 40% na vazão de rios durante a estação seca. Isso afeta diretamente a irrigação e o abastecimento de propriedades rurais.

Além disso, o calor extremo eleva o risco de incêndios florestais. Em 2024, o Brasil registrou recorde de queimadas no Pantanal e na Amazônia, com mais de 17 milhões de hectares queimados. Com mais dias quentes, a temporada de fogo se alonga.

O que o produtor pode fazer agora

Não dá para esperar 2075. Quem planta e colhe precisa se adaptar hoje. Algumas medidas práticas:

  • Investir em irrigação por gotejamento, que reduz o consumo de água em até 50% comparado à aspersão.
  • Usar cultivares mais tolerantes ao calor, como variedades de soja com ciclo mais curto.
  • Adotar sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que mantêm o solo mais úmido e reduzem a temperatura ambiente.
  • Instalar cobertura de solo (palhada) para diminuir a evaporação.
  • Revisar sistemas de arrefecimento de máquinas e tratores antes da safra.

Já vi produtor que perdeu uma semana de colheita porque o trator superaqueceu e a peça de reposição demorou a chegar. Com 127 dias de calor, esse risco multiplica. Manutenção preventiva vira regra.

O papel das políticas públicas

O governo federal, por meio do Ministério da Agricultura e do Banco Central, já estuda linhas de crédito para adaptação climática. O Plano Safra 2025/2026 deve incluir recursos específicos para irrigação e energia solar. Mas a burocracia ainda emperra. O produtor precisa de acesso rápido a financiamento, não de promessas.

Perguntas Frequentes

Quantos dias de calor extremo o Brasil terá em 2075?

Projeções do INPE indicam até 127 dias por ano com temperaturas acima de 35°C no cenário de altas emissões.

Quais regiões serão mais afetadas?

Norte, Nordeste e Centro-Oeste devem ter o maior aumento de dias quentes.

Como o calor extremo afeta a produção de leite?

Vacas em estresse térmico podem reduzir a produção de leite em até 30%, segundo a Embrapa.

O que o produtor pode fazer para se adaptar?

Investir em irrigação eficiente, usar cultivares tolerantes ao calor e adotar sistemas ILPF.

O governo tem linhas de crédito para adaptação climática?

O Plano Safra 2025/2026 deve incluir recursos para irrigação e energia solar, mas a liberação ainda é lenta.

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