Sustentabilidade

Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

ResumoA Zona Norte do Rio de Janeiro apresenta as maiores temperaturas da cidade, conforme estudo que aponta fatores urbanos como concentração de concreto e asfalto, além de menor cobertura vegetal. A geografia local, com morros que bloqueiam ventos, intensifica o calor. O fenômeno eleva riscos à saúde, como desidratação e problemas respiratórios, e reduz a qualidade de vida dos moradores.

Estudo aponta que a zona norte é região do Rio com maiores temperaturas. Entenda os fatores urbanos e geográficos que explicam o fenômeno e seus impactos na saúde e qualidade de vida.

Cláudia Renê
Cláudia Renê Especialista em sustentabilidade no agro · 09 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

A zona norte do Rio de Janeiro é apontada como a região com as maiores temperaturas da cidade, segundo um estudo recente. O levantamento, que analisou dados históricos e recentes, revela que bairros como Madureira, Méier e Penha registram médias térmicas superiores às demais áreas, com picos que podem ultrapassar os 40°C em dias de verão. O fenômeno é explicado por uma combinação de fatores: alta densidade de construções, redução de áreas verdes e concentração de vias asfaltadas, que retêm calor. A pesquisa, conduzida por instituições como a UFRJ e o INPE, reforça a necessidade de políticas públicas de arborização e planejamento urbano para mitigar os efeitos das ilhas de calor.

Por que a zona norte do Rio aquece mais?

A zona norte do Rio de Janeiro apresenta temperaturas mais altas devido a uma série de características urbanas e geográficas. A região, que concentra grande parte da população da cidade, tem um adensamento construtivo elevado, com prédios e casas próximos, e pouca cobertura vegetal. As ruas asfaltadas e os telhados escuros absorvem radiação solar durante o dia e liberam calor à noite, mantendo as temperaturas elevadas mesmo após o pôr do sol. Além disso, a proximidade com a Baía de Guanabara e a Serra do Mar influencia a circulação de ventos, que podem reter o ar quente na região.

Fatores que explicam as temperaturas elevadas

Urbanização e impermeabilização do solo

A substituição de áreas verdes por concreto e asfalto é um dos principais responsáveis pelo aumento das temperaturas na zona norte. Bairros como Jacarepaguá e Irajá, que antes tinham mais vegetação, passaram por intensa urbanização nas últimas décadas. A impermeabilização do solo reduz a evapotranspiração, processo natural que resfria o ambiente, e aumenta a retenção de calor.

Ausência de áreas verdes

A zona norte tem uma das menores taxas de área verde por habitante da cidade, segundo dados do IBGE. Enquanto a zona sul conta com florestas e parques como a Tijuca e o Parque do Flamengo, a zona norte tem menos praças e árvores, o que agrava o efeito de ilha de calor.

Concentração de indústrias e veículos

A região abriga um grande parque industrial e é cortada por vias de tráfego intenso, como a Avenida Brasil e a Linha Amarela. A emissão de gases poluentes e o calor gerado por motores contribuem para o aumento das temperaturas locais.

Impactos na saúde e qualidade de vida

O calor excessivo na zona norte tem consequências diretas para a população. Durante ondas de calor, os moradores relatam dificuldades para dormir, maior incidência de problemas respiratórios e cardiovasculares, além de desconforto térmico em residências sem ar-condicionado. O estudo alerta que as temperaturas extremas podem se tornar mais frequentes com as mudanças climáticas, exigindo adaptação urbana.

O que diz a pesquisa?

O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), analisou dados de estações meteorológicas e imagens de satélite entre 2010 e 2023. As medições mostram que a temperatura média na zona norte é de 2 a 4 graus Celsius superior à da zona sul, com diferenças ainda maiores em dias de verão. Os bairros da região metropolitana, como Duque de Caxias e Nova Iguaçu, também registram temperaturas elevadas, mas o estudo foca no município do Rio.

Soluções e políticas públicas

Para reduzir as temperaturas na zona norte, especialistas recomendam medidas de planejamento urbano, como a criação de parques lineares, plantio de árvores em calçadas e telhados verdes. Programas como o Rio Arborizado, da prefeitura, já atuam na região, mas a cobertura vegetal ainda é insuficiente. A adoção de materiais refletivos em telhados e pavimentos também pode ajudar a diminuir a absorção de calor. A pesquisa sugere que a zona norte precisa de investimentos em infraestrutura verde para mitigar os efeitos das ilhas de calor e melhorar a qualidade de vida dos moradores.

Perguntas Frequentes

Por que a zona norte do Rio é mais quente que a zona sul?

A zona norte tem menos áreas verdes, maior densidade de construções e mais asfalto, que retém calor. A zona sul, por sua vez, conta com a Floresta da Tijuca e ventos marítimos que amenizam as temperaturas.

Quais bairros da zona norte são mais afetados?

Madureira, Méier, Penha, Irajá e Jacarepaguá estão entre os bairros com maiores temperaturas, segundo o estudo.

O que é ilha de calor?

Ilha de calor é um fenômeno em que áreas urbanas apresentam temperaturas mais altas que regiões rurais ou verdes ao redor, devido à retenção de calor por construções e pavimentação.

Como a população pode se proteger do calor excessivo?

Hidratação, uso de roupas leves, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes e buscar locais com sombra são medidas recomendadas. A instalação de ventiladores e ar-condicionado também ajuda, mas aumenta o consumo de energia.

Há previsão de melhora com políticas públicas?

Sim, iniciativas como arborização urbana e telhados verdes podem reduzir as temperaturas a longo prazo, mas exigem investimento contínuo e planejamento integrado entre prefeitura e moradores.

O estudo considera mudanças climáticas?

Sim, os pesquisadores apontam que as mudanças climáticas podem intensificar as ondas de calor na zona norte, tornando urgente a adoção de medidas de adaptação.

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