Sustentabilidade

Zona Norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

ResumoA Zona Norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, conforme estudo que aponta urbanização densa, pouca vegetação e relevo como causas. O fenômeno supera áreas centrais e litorâneas, impactando diretamente a qualidade de vida dos moradores.

Estudo aponta que a Zona Norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, superando áreas centrais e litorâneas. Fatores como urbanização densa, pouca vegetação e relevo explicam o fenômeno, que afeta diretamente a qualidade de vida dos moradores.

Cláudia Renê
Cláudia Renê Especialista em sustentabilidade no agro · 08 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Zona Norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

A Zona Norte do Rio de Janeiro concentra as temperaturas mais elevadas da capital fluminense, conforme aponta estudo recente. O fenômeno, que combina urbanização intensa com baixa arborização, coloca bairros como Madureira, Méier e Tijuca no topo do ranking térmico da cidade. Para o produtor rural e morador da região, entender esse padrão é o primeiro passo para mitigar impactos e planejar ações de adaptação.

Ilha de calor urbana: por que a Zona Norte é a mais quente?

O estudo, conduzido por pesquisadores da UFRJ em parceria com o Instituto Pereira Passos, analisou dados de estações meteorológicas e imagens de satélite entre 2015 e 2025. A conclusão é clara: a Zona Norte apresenta temperaturas médias 2°C a 4°C acima das registradas na Zona Sul e na região central. O principal motor desse aquecimento é o adensamento construtivo. As edificações, em sua maioria sem recuos e com pouca ventilação, absorvem calor durante o dia e o liberam à noite, impedindo o resfriamento.

A ausência de áreas verdes agrava o quadro. Enquanto a Zona Sul mantém cobertura vegetal de cerca de 30%, na Zona Norte esse índice cai para 12% (dados do IBGE, Cobertura Vegetal por Bairro, 2022). A impermeabilização do solo, com asfalto e concreto, também contribui: a água da chuva escoa rapidamente, reduzindo a evapotranspiração e o efeito de resfriamento natural.

Relevo e circulação de ventos

A geografia local é outro fator determinante. A Zona Norte ocupa uma área de baixada, cercada por maciços como o da Tijuca e o da Pedra Branca. Esse relevo em forma de "bacia" dificulta a circulação dos ventos, que chegam enfraquecidos do litoral. Com menos ventilação, o ar quente fica retido próximo ao solo, elevando ainda mais as temperaturas. Um estudo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) aponta que, em dias de verão, a sensação térmica na Zona Norte pode superar os 45°C, enquanto na Zona Sul não ultrapassa 38°C.

Impactos na qualidade de vida e na saúde

As altas temperaturas na Zona Norte não são apenas um desconforto. Dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro mostram que, durante ondas de calor, o número de internações por problemas respiratórios e cardiovasculares cresce 25% na região, contra 12% na média da cidade. Crianças e idosos são os mais vulneráveis. A falta de áreas sombreadas em espaços públicos, como praças e calçadas, agrava a exposição ao calor extremo.

O que pode ser feito?

A regularização ambiental e o planejamento urbano são caminhos apontados por especialistas. O plantio de árvores nativas em larga escala, a criação de corredores verdes e a adoção de telhados frios (coberturas refletivas) podem reduzir a temperatura local em até 3°C. Programas como o "Rio Árvores", da Prefeitura, já distribuíram mudas para moradores da Zona Norte, mas o ritmo ainda é insuficiente para reverter o quadro. Para quem vive ou trabalha na região, a recomendação é buscar imóveis com ventilação cruzada, investir em isolamento térmico e, sempre que possível, manter áreas verdes no entorno.

Relação com o mercado e a agenda ESG

Empresas e produtores rurais que atuam na Zona Norte precisam considerar o clima local em seus planejamentos. A certificação ambiental, como a ISO 14001, exige monitoramento de impactos térmicos e medidas de mitigação. Para o produtor rural, a adoção de sistemas agroflorestais (SAFs) em áreas de borda urbana pode ajudar a reduzir a temperatura e ainda gerar renda. O comprador de fora, especialmente do mercado europeu, já cobra comprovação de boas práticas ambientais; estar regular e adaptado abre portas.

Perguntas Frequentes

Qual bairro da Zona Norte é o mais quente?

Madureira lidera o ranking, com temperatura média anual de 28,5°C, seguido por Méier (28,2°C) e Tijuca (27,8°C), segundo o estudo da UFRJ.

A Zona Norte é mais quente que a Zona Oeste?

Sim. A Zona Oeste, apesar de ter áreas de baixada, conta com maior cobertura vegetal e menos adensamento, o que reduz as temperaturas médias em 1°C a 2°C.

Como a arborização ajuda a reduzir o calor?

As árvores fornecem sombra e liberam vapor d'água, resfriando o ar. Um estudo da UFRJ mostrou que ruas arborizadas na Zona Norte têm temperatura até 3°C menor que ruas sem árvores.

O aquecimento global piora a situação?

Sim. A tendência de aumento das temperaturas globais intensifica o fenômeno de ilha de calor urbana. Projeções do INMET indicam que, até 2040, a Zona Norte pode registrar ondas de calor 50% mais frequentes.

Morar na Zona Norte exige cuidados extras no verão?

Sim. Manter a casa arejada, usar roupas leves, hidratar-se e evitar exposição ao sol entre 10h e 16h são medidas básicas. Para quem tem ar-condicionado, a manutenção periódica é essencial para evitar consumo excessivo de energia.

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