Sustentabilidade

Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

ResumoA Zona Norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, segundo estudo do INMET e da Prefeitura. O levantamento, baseado em dados de estações meteorológicas entre 2010 e 2025, atribui o fenômeno à urbanização densa, ao relevo e à baixa cobertura vegetal.

A zona norte é a região do Rio de Janeiro com as maiores temperaturas, aponta estudo do INMET e da Prefeitura. O levantamento analisou dados de estações meteorológicas entre 2010 e 2025 e identificou que a combinação de urbanização densa, relevo e baixa cobertura vegetal eleva o

Cláudia Renê
Cláudia Renê Especialista em sustentabilidade no agro · 08 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

A zona norte do Rio de Janeiro concentra os recordes de temperatura na cidade, de acordo com estudo do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em parceria com a Prefeitura do Rio. O levantamento, que analisou séries históricas de estações automáticas entre 2010 e 2025, identificou que bairros como Madureira, Méier e Tijuca registram máximas até 4°C acima da média da zona sul.

A pesquisa mostra que a zona norte é a região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo que cruzou dados de 12 estações meteorológicas espalhadas pela cidade. O fenômeno é explicado pela combinação de três fatores principais: urbanização intensa, topografia de vale e baixa cobertura vegetal.

Por que a zona norte concentra mais calor

A urbanização densa é o principal motor do aquecimento local. A zona norte tem a maior densidade populacional da cidade, com cerca de 12 mil habitantes por km² em bairros como Madureira e Méier, segundo dados do IBGE. Essa concentração de construções, asfalto e concreto retém calor e reduz a ventilação natural.

A topografia também agrava o quadro. A região é cortada por vales e morros que dificultam a circulação dos ventos marinhos. Enquanto a zona sul recebe brisa constante do mar, a zona norte acumula ar quente estagnado.

A baixa arborização completa o cenário. Dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente indicam que a zona norte tem menos de 15% de cobertura vegetal, contra mais de 40% na zona sul e na região oceânica. A falta de sombra e de evapotranspiração eleva a temperatura do solo e do ar.

Impactos das ondas de calor na zona norte

O estudo também alerta para a frequência crescente de ondas de calor na região. Entre 2015 e 2025, o número de dias com temperatura acima de 40°C dobrou em Madureira, passando de 5 para 10 dias por ano. O fenômeno afeta diretamente a saúde pública, com aumento de internações por desidratação e problemas respiratórios, especialmente em idosos e crianças.

A Prefeitura do Rio já mapeou as áreas mais críticas e incluiu a zona norte no Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas, com medidas como plantio de árvores nativas, criação de parques lineares e incentivo a telhados verdes em prédios públicos plano de adaptação climática RJ.

Comparação com outras regiões da cidade

Os dados mostram disparidades expressivas. Enquanto a zona sul registra médias máximas de 32°C no verão, a zona norte chega a 36°C, com picos de 40°C em bairros como Madureira e Tijuca. A zona oeste, embora tenha áreas mais quentes como Campo Grande, não atinge os mesmos patamares de calor extremo da zona norte.

A diferença se acentua à noite. A zona norte mantém temperaturas noturnas até 5°C mais altas que a zona sul, devido ao efeito de ilha de calor urbana, que retém o calor acumulado durante o dia.

Fatores que explicam a ilha de calor na zona norte

A ilha de calor urbana é um fenômeno bem documentado pela climatologia. No Rio, a zona norte reúne as condições ideais para sua formação: alta densidade de edificações, uso intenso de concreto e asfalto, baixa reflectância (albedo) dos materiais e escassez de áreas verdes. O estudo do INMET confirma que a temperatura do ar na zona norte é, em média, 3°C a 4°C superior à das áreas rurais do entorno da cidade.

A proximidade com a Baía de Guanabara também influencia. A baía funciona como um espelho que reflete a radiação solar, aquecendo ainda mais os bairros da orla norte, como Caju e São Cristóvão.

O que dizem os especialistas

Pesquisadores da UFRJ e do INMET apontam que a situação tende a piorar com as mudanças climáticas. Modelos climáticos indicam que, até 2050, a temperatura média no Rio pode subir entre 2°C e 4°C, com impactos mais severos na zona norte. A recomendação é acelerar políticas de arborização urbana e de redução do concreto, como a implementação de calçadas verdes e a substituição de telhados convencionais por telhados frios.

Medidas propostas para mitigar o calor

A Prefeitura do Rio anunciou um pacote de ações para a zona norte, que inclui o plantio de 100 mil árvores até 2028, a criação de 5 parques urbanos e a instalação de 50 telhados verdes em escolas e postos de saúde. Além disso, o programa "Rio Resiliente" prevê a construção de praças com piso drenante e a ampliação de áreas de sombreamento em pontos de ônibus.

Especialistas defendem que a participação da comunidade é essencial. Moradores podem adotar práticas como o plantio de árvores em calçadas, a instalação de jardins verticais e o uso de tintas refletivas em lajes dicas de arborização urbana.

Perguntas Frequentes

Qual bairro da zona norte é o mais quente?

Madureira lidera o ranking, com temperatura média máxima de 36°C no verão, seguido por Méier e Tijuca.

O estudo considerou dados de quantos anos?

Foram analisados dados de 15 anos, entre 2010 e 2025, de 12 estações meteorológicas automáticas do INMET.

A zona oeste também é muito quente?

Sim, mas as máximas são menores que as da zona norte, com exceção de Campo Grande, que se aproxima dos 34°C.

O que causa a ilha de calor na zona norte?

Urbanização densa, baixa arborização e topografia de vale que dificulta a ventilação.

Quais medidas a prefeitura está tomando?

Plantio de 100 mil árvores, criação de parques, telhados verdes e calçadas drenantes, com investimento previsto de R$ 200 milhões até 2028.

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